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ANTROPOFAGIA
Fome sem nome
Desejo de carne, de alma
De devorar ferozmente
Pedaços diferentes
Produzir saliva
Digerir idéias
Soluçar palavras
Satisfazer apetites
Temperar
Com outras raízes
Várias matizes
Prato pronto, nova fome
Antropofagia
Tudo se come.
Gustavo Adonias
Eu gosto
Confesso...
De ganhar flores ... flores em casa...
se fores meu... direi Te Amo...
Gosto... confesso...
de minhas unhas coloridas...
vermelhas intensas... assim como eu.
Transparentes... só os sabonetes...
a transparência das lingeries...
e da verdade em si...
Bemol não... só o Sol da respiração...
Gosto... confesso... dos meus saltos altos...
das vitrines mostrando que posso ficar
mais alta... saborear a altura...
num abraço de ternura...
Te alcançar sem frescura !
Gostaria ... confesso...
de um jantar à Luz de Velas...
num Tête-à-Tête
prá namorar.
Gosto confesso...
dos meus vestidos estampados...
longos ... rodeados...
embalando meu compasso...
colares em meu colo decotado !
Pulseiras nos punhos
num barulhinho especial....
esperando encostar no seu colo armado.
Os anéis... ah... especialmente nos dedos
das unhas pintadas..
olho... admiro...
Gosto e confesso....
que brincos são em mim um
complemento de meu traço...
Batons... vermelhos não...
transparentes também não...
Só alguma coisa para expressar
meu beijo....
numa boca que
Gosta... confessa,
de seu beijo roubado !
Rô Figueiredo